Lilygo T-Dongle-C5: o dongle ESP32-C5 dual-band que vira ferramenta de pentest wireless

Hardware

Lilygo T-Dongle-C5: o dongle ESP32-C5 dual-band que vira ferramenta de pentest wireless

Rodrigo ColissiRodrigo Colissi
04 de setembro de 2026
Wi-Fi & WirelessDevelopment BoardsPortable Devices

Análise do Lilygo T-Dongle-C5: dongle USB com ESP32-C5, Wi-Fi 6 dual-band (2,4 + 5 GHz), Bluetooth LE, LCD e slot microSD — e os firmwares ofensivos que rodam nele.

  • ESP32-C5 — RISC-V single-core 240 MHz
  • Wi-Fi 6 (802.11ax) dual-band 2,4 + 5 GHz
  • Bluetooth 5 (LE)
  • 0,96" LCD IPS ST7735 (80×160, 65K cores)
  • 16 MB Flash + 8 MB PSRAM
  • Slot microSD
  • USB Type-A + antena cerâmica interna
  • Conector Qwiic/STEMMA QT (JST-SH 4 pinos)
US$ 16,98

Resumo: o Lilygo T-Dongle-C5 é um dongle USB do tamanho de um pendrive (58 × 18 × 9 mm) baseado no novo chip ESP32-C5 da Espressif: processador RISC-V de 240 MHz, Wi-Fi 6 dual-band (2,4 GHz e 5 GHz), Bluetooth 5 LE, tela LCD de 0,96", 16 MB de flash, 8 MB de PSRAM e slot microSD. O que o torna especial para a comunidade de segurança é o preço e a portabilidade: por cerca de US$ 17 ele roda firmwares ofensivos como o Biscuit, o Bruce e o ESP32 Marauder, transformando-se numa plataforma de pentest wireless controlada pelo celular — captura de handshake EAPOL, ataques Wi-Fi/Bluetooth e evil portal, tudo no bolso.

O que é

O T-Dongle-C5 é o primeiro produto da Lilygo (fabricante chinês conhecido pelas placas de desenvolvimento TTGO, populares na comunidade maker e de segurança) baseado no ESP32-C5 — a nova geração de microcontroladores da Espressif que troca os núcleos Xtensa das gerações anteriores por um núcleo RISC-V de 240 MHz e, principalmente, ganha rádio dual-band: pela primeira vez um ESP32 oferece Wi-Fi em 2,4 GHz e 5 GHz, além de Bluetooth 5 LE e suporte a IEEE 802.15.4 (Thread/Zigbee) no chip.

Fisicamente, é um pen drive USB Type-A com carcaça transparente: de um lado o conector USB, do outro uma tela IPS colorida de 0,96" controlada pelo chip ST7735. A energia vem do próprio USB (5 V, regulados para 3,3 V internamente), a antena é cerâmica e embarcada, e um conector JST-SH de 4 pinos compatível com os ecossistemas Qwiic e STEMMA QT expõe UART e alimentação para sensores externos. Não há bateria: o dongle vive plugado no computador, num power bank ou num carregador de parede — e a interface é toda pela tela e pelos botões, ou via Bluetooth pelo celular.

Foi esse formato que conquistou a comunidade de hacking ético: o mesmo hardware de um desenvolvimento IoT de US$ 17 vira, com a troca do firmware, uma estação de auditoria wireless do tamanho de um pendrive.

Principais características

CaracterísticaEspecificação
ProcessadorESP32-C5HR8 — RISC-V single-core @ 240 MHz
Wi-FiWi-Fi 6 (802.11ax) dual-band 2,4 + 5 GHz, compatível com b/g/n
BluetoothBluetooth 5 LE
TelaLCD IPS 0,96" (ST7735), 80×160, 65 mil cores, SPI
Memória16 MB flash + 8 MB PSRAM
ArmazenamentoSlot microSD (TF)
ConectividadeUSB Type-A (programação e dados), antena cerâmica interna
ExpansãoConector JST-SH 1.0 mm 4 pinos (Qwiic/STEMMA QT) — UART + alimentação
BotõesBotão BOOT (flash e recovery)
Dimensões~58 × 18 × 9 mm
AlimentaçãoUSB 5 V, regulada para 3,3 V
DesenvolvimentoArduino IDE e ESP-IDF (VS Code)
Preço~US$ 17 (versão com LCD)

Firmwares que rodam no T-Dongle-C5

FirmwareO que fazLeia mais
BiscuitPlataforma headless de pentest wireless controlada pelo celular via Bluetooth: scan de redes, captura EAPOL/PMKID, wardriving com GPS, ataques Wi-Fi e BLEAnálise do Biscuit
BruceMultiferramenta ofensiva "predatória" para ESP32: deauth, beacon spam, evil portal com modo Karma, ataques BLE, RFID/NFC e RFAnálise do Bruce
ESP32 MarauderPacote de ferramentas ofensivas e defensivas Wi-Fi/Bluetooth para ESP32: sniffing, deauth, beacon flood, escaneamento de canaisAnálise do ESP32 Marauder

O ESP32-C5 é a plataforma oficial do Biscuit DIY, e os três firmwares têm builds prontos para o T-Dongle-C5 — o que faz do dongle o hardware mais versátil da categoria por menos de vinte dólares.

Casos de uso práticos

Captura de handshake EAPOL para auditoria de Wi-Fi. O caso de uso que colocou o T-Dongle-C5 no mapa: com o Biscuit flashado, o dongle escaneia redes, captura o handshake de 4 vias (ou PMKID) e exporta o hash já no formato do hashcat — o fluxo completo de descoberta de senha WPA2 está no nosso guia. O diferencial é a portabilidade: nada de notebook aberto na mesa, o dongle é controlado pelo celular.

Ataques Wi-Fi e Bluetooth em testes autorizados. Com o ESP32 Marauder, o dongle vira um sniffer de canais, dispara deauth, beacon flood e detecta dispositivos — útil para validar a resiliência da sua infraestrutura wireless a ataques de negação de serviço. Com o Bruce, ele monta um evil portal com páginas de phishing para testar a conscientização da equipe contra redes clonadas.

Wardriving e mapeamento de redes. O Biscuit em modo wardriving registra redes georreferenciadas (com GPS via celular) e permite montar mapas da cobertura Wi-Fi da sua região ou organização — o mesmo princípio de bases como o WiGLE (banco colaborativo de redes Wi-Fi georreferenciadas).

Desenvolvimento IoT e projetos embarcados. Fora do contexto ofensivo, o dual-band + PSRAM de 8 MB + microSD fazem do T-Dongle-C5 uma placa de desenvolvimento compacta para projetos de IoT, dashboards na telinha e armazenamento de logs — programável em Arduino ou ESP-IDF como qualquer ESP32.

Como se defender dos riscos

O hardware é dual-use — e barato. O T-Dongle-C5 não é "malware": é um microcontrolador legítimo. O risco não está no dongle, e sim no uso que se faz dele — os mesmos firmwares que auditam redes autorizadas invadem redes alheias. Para a sua organização, a defesa é a mesma deste tipo de ferramenta: política clara de testes autorizados, posse e uso controlados de hardware de pentest e monitoramento do ar (WIDS) para detectar deauth floods e redes clonadas, que são a assinatura desses ataques.

Alcance limitado, mas suficiente. A antena cerâmica interna tem alcance menor que adaptadores USB com antena externa — o que limita ataques a redes próximas. Isso não é consolo: na prática, a maioria dos alvos de oportunidade (vizinhos, cafés, escritórios pequenos) está a poucos metros. Se o seu ambiente depende de "ninguém vai chegar perto", você já perdeu — segmente as redes e use WPA3.

Cuidado com o que você flasha. Firmwares ofensivos são software de terceiros: baixe sempre dos repositórios oficiais (os links estão nas análises do Biscuit, Bruce e Marauder) e desconfie de builds compartilhados em grupos — firmware adulterado pode virar backdoor no seu próprio hardware de teste.

Conclusão

O Lilygo T-Dongle-C5 é a prova de que hardware de pentest wireless deixou de ser caro e volumoso: por menos de vinte dólares, um dongle do tamanho de um pendrive entrega Wi-Fi 6 dual-band, Bluetooth, tela e armazenamento — e vira, conforme o firmware, capturador de handshake, ferramenta de ataques Wi-Fi/BLE ou estação de wardriving, sempre no controle do celular. Para o pentester, é o equilíbrio ideal entre preço, portabilidade e versatilidade; para o defensor, é o lembrete de que a segurança wireless moderna precisa se defender de adversários com hardware de bolso.

Fontes e leituras adicionais

Gostou? Receba novos conteúdos por e-mail.

Entre na comunidade

Discussões técnicas e novidades em primeira mão.