
Ferramenta
Strix: o agente de IA que faz pentest e corrige as vulnerabilidades sozinho
O que é
O Strix é uma plataforma de pentest (teste de intrusão) movida a agentes de inteligência artificial autônomos que encontram — e também corrigem — vulnerabilidades em aplicações, APIs e infraestrutura. Em vez de apenas apontar problemas como um scanner estático, o Strix age "como um hacker de verdade": executa o código, explora as falhas e valida cada descoberta com uma prova de conceito (PoC) que realmente funciona, eliminando grande parte dos falsos positivos.
O motor é open source, mantido pela equipe usestrix no GitHub, sob licença Apache-2.0, com mais de 68,9 mil estrelas e 7,6 mil forks. Mas o Strix não se resume ao repositório: existem três formas de usar a mesma solução, cada uma com um público e um modelo de operação diferentes.
- Open source (local) — você roda o agente na sua máquina, com Docker e a sua própria chave de API de um modelo de linguagem (LLM). Gratuito e 100% sob o seu controle.
- Strix Cloud — a plataforma gerenciada (SaaS) em app.strix.ai, sem setup: painel web, findings validados, auto-correção com pull request e pentest contínuo.
- Strix Enterprise — implantação self-hosted (na sua infraestrutura ou em VPC), com SSO, conformidade (SOC 2, ISO 27001, PCI DSS) e suporte dedicado.
Nas seções abaixo, cada um dos três modos é detalhado separadamente.
Principais características
| Característica | Valor |
|---|---|
| Licença | Apache-2.0 (motor open source) |
| Linguagem | Python (engine/CLI) + Go (TUI) |
| Versão atual | v1.7.0 |
| Estrelas no GitHub | ~68,9 mil |
| Forks | ~7,6 mil |
| Modos de uso | Open source (local), Strix Cloud (SaaS), Enterprise (self-hosted) |
| Integrações | GitHub Actions/CI/CD, GitHub, GitLab, Bitbucket, Jira, Linear, Slack, MCP |
O Strix se destaca por cinco capacidades centrais:
- Toolkit completo de pentest — reconhecimento, exploração e validação prontos para uso, sem configurar nada.
- Orquestração multi-agente — equipes de agentes de IA que colaboram, dividindo tarefas como uma red team real.
- Validação real de exploits — PoCs que funcionam, não alarmes falsos de scanner legado.
- CLI feita para desenvolvedor — descobertas acionáveis, com orientação de correção em cada uma.
- Auto-correção e relatórios — gera patches e relatórios de pentest compatíveis com conformidade.
Na parte de cobertura, o Strix identifica e valida todo o OWASP Top 10 e muito além: broken access control (IDOR e escalada de privilégio), injeções (SQL, NoSQL, comandos de SO e SSTI), vulnerabilidades server-side (SSRF, XXE, desserialização insegura e RCE), ataques client-side (XSS refletido/armazenado/DOM, prototype pollution e CSRF), falhas de lógica de negócio (condições de corrida e manipulação de pagamentos), problemas de autenticação e sessão (ataques a JWT e session fixation), além de misconfigurações de infraestrutura, nuvem e segurança de API.
Como funciona
O Strix junta três peças: um conjunto de ferramentas ofensivas, um orquestrador multi-agente e um modelo de linguagem que coordena tudo. O modelo escolhido (por padrão o Z.ai GLM-5.3, mas há suporte a GPT, Claude, Gemini, DeepSeek e modelos locais) é o "cérebro" que decide o que testar, interpreta as respostas e planeja o próximo passo — tudo conectado por LiteLLM (camada que unifica o acesso a diferentes provedores).
O agente é equipado com um arsenal que profissional de segurança reconhece de longe. Ele intercepta e manipula requisições HTTP com o Caido (proxy de segurança), automatiza navegador para testar XSS, CSRF e clickjacking com o Playwright, usa shell interativo para desenvolvimento de exploits, roda scripts em um sandbox Python para validar PoCs, faz reconhecimento e OSINT (mapeamento de superfície e enumeração de subdomínios) e combina análise estática (SAST) e dinâmica (DAST). Na versão open source, tudo roda dentro de um contêiner Docker isolado, para o agente não tocar na sua máquina.
O fluxo de trabalho segue uma cadeia clara: primeiro o agente reconhece o alvo e mapeia a superfície de ataque; em seguida explora as falhas encontradas; depois confirma que cada uma é um risco real montando uma prova de conceito funcional; por fim gera o relatório — e, no modo auto-correção, propõe o patch pronto para merge.
Fluxo de um pentest do Strix
O motor de orquestração usa uma arquitetura de grafo de agentes: agentes especializados (um para recon, outro para exploração, outro para pós-exploração) trabalham em paralelo e trocam descobertas entre si, encadeando vulnerabilidades como faria uma equipe de red team. Isso permite escalar o teste para vários alvos ao mesmo tempo, mantendo a cobertura ampla.
Open source: rodando o Strix localmente
A versão open source é a porta de entrada. Você roda o agente na sua máquina, com o seu próprio modelo e os seus próprios custos, sem depender de nenhum serviço externo. O pré-requisito é ter o Docker em execução e uma chave de API de um provedor de LLM suportado (OpenAI, Anthropic, Google, OpenRouter, DeepSeek, ou um modelo local via Ollama/LMStudio).
A interface de terminal (TUI) do Strix mostra, em tempo real, o progresso da varredura e as descobertas.
A instalação mais direta usa o instalador oficial, que baixa o binário standalone:
# Instalar o Strix
curl -sSL https://strix.ai/install | bashTambém é possível instalar como pacote Python (o pacote no PyPI é strix-agent), com pipx, uv ou pip:
pipx install strix-agent
# ou
uv tool install strix-agentDepois, configure o provedor de IA e rode o primeiro teste:
export STRIX_LLM="openrouter/z-ai/glm-5.3"
export LLM_API_KEY="sua-chave-de-api"
# Primeira avaliação de segurança
strix --target ./app-directoryNa primeira execução, o Strix baixa automaticamente a imagem Docker do sandbox. Os resultados são salvos na pasta strix_runs, e a configuração fica gravada em ~/.strix/cli-config.json — você não precisa repeti-la a cada rodada. Para atualizar, basta strix --update.
O Strix aceita diferentes tipos de alvo na mesma sintaxe simples:
# Escanear um diretório de código local
strix --target ./app-directory
# Revisão de segurança de um repositório do GitHub
strix --target https://github.com/org/repo
# Avaliação black-box de uma aplicação web
strix --target https://sua-aplicacao.com
# Testar uma API a partir do contrato declarado (OpenAPI/Swagger/Postman)
strix --target ./openapi.yaml --target https://api.sua-aplicacao.com
# Teste grey-box autenticado
strix --target https://sua-aplicacao.com --instruction "Authenticated testing usando credenciais: user:pass"
# Múltiplos alvos + modo headless (para servidores e jobs)
strix -t https://github.com/org/app -t https://sua-aplicacao.com
strix -n --target https://sua-aplicacao.comCada varredura grava os resultados em disco em tempo real. Com strix view, um painel local abre no navegador mostrando os findings, um mapa ao vivo da equipe de agentes e as execuções anteriores — tudo fica na sua máquina, nada sai para terceiros. O modo headless (flag -n) encerra com código de saída diferente de zero quando encontra vulnerabilidade, o que viabiliza CI/CD:
name: strix-pentest
on:
pull_request:
jobs:
security-scan:
runs-on: ubuntu-latest
steps:
- uses: actions/checkout@v6
with:
fetch-depth: 0
- name: Instalar Strix
run: curl -sSL https://strix.ai/install | bash
- name: Rodar Strix
env:
STRIX_LLM: ${{ secrets.STRIX_LLM }}
LLM_API_KEY: ${{ secrets.LLM_API_KEY }}
run: strix -n -t ./ --scan-mode quickStrix Cloud: a plataforma gerenciada
Quem não quer lidar com Docker, chave de API ou infraestrutura pode usar o Strix Cloud, a versão SaaS em app.strix.ai. Aqui o mesmo motor roda em servidores gerenciados: você conecta repositórios e domínios e lança um pentest em poucos minutos, sem setup.
O painel em tempo real lista os pentests por alvo, com status, quantidade de descobertas e datas.
O diferencial do Cloud é a experiência de ponta a ponta. Cada vulnerabilidade vem validada com um PoC funcional e com os passos de reprodução, priorizada por impacto real:
Um finding de SSRF com severidade alta, CVSS 8.6, localização do código e sugestão de correção — pronto para o desenvolvedor agir.
Em vez de só apontar o problema, o Cloud gera a correção automaticamente, retesta para confirmar que a vulnerabilidade sumiu e entrega um pull request pronto para merge:
A correção do SSRF é proposta como um pull request revisável — revisar, aprovar e pronto.
Além disso, o Cloud oferece pentest contínuo (varredura sempre ativa que acompanha cada deploy), revisão de segurança em cada pull request e integrações nativas com GitHub, GitLab, Bitbucket, Jira, Linear e Slack. Também é possível operar a plataforma direto do terminal com o comando strix cloud, sem Docker nem chave de LLM:
strix cloud login
strix cloud scans start --source . --yes --wait
strix cloud vulns list --severity criticalEnterprise: controle total e self-hosted
Para organizações com exigências de conformidade e privacidade, o Strix Enterprise é a mesma plataforma — mas implantada dentro da sua infraestrutura: em VPC, on-premise ou até em ambiente air-gapped (isolado da internet). Os recursos adicionais são voltados a controle e governança:
- SSO e SCIM — autenticação via SAML/OIDC e provisionamento automático de usuários.
- BYOK (bring your own key) — uso de modelos customizados com as suas próprias credenciais.
- Relatórios de conformidade — pentest reports prontos para SOC 2, ISO 27001 e PCI DSS.
- Pentest de infraestrutura interna — além da superfície externa, testa redes, serviços e sistemas de dentro do seu ambiente.
- Zero retenção de dados — o código-fonte nunca é armazenado nem usado para treinar modelos; os provedores operam sob acordos de não-retenção.
- Suporte dedicado e SLA — canal prioritário, onboarding e SOC 2 Type II / ISO 27001.
Como o Enterprise é essencialmente a mesma plataforma rodando de forma privada, a interface e o fluxo (painel, findings validados e auto-correção) são os mesmos mostrados na seção do Cloud — a diferença está em onde os dados ficam e em como o acesso é governado.
Conclusão
O Strix representa uma virada no como se faz pentest: em vez de rodar um scanner passivo e recolher uma avalanche de alertas, você delega a um agente de IA que ataca, valida com prova real e ainda entrega a correção pronta. A existência de três modos — open source, Cloud e Enterprise — cobre desde o desenvolvedor que quer testar na própria máquina até a empresa que precisa de conformidade e self-hosted.
Para quem começa, o caminho é simples: instale o binário, configure uma chave de API e aponte para um alvo de teste. A barreira de entrada é baixa, mas a disciplina de autorização continua valendo: como o próprio projeto alerta, rode o Strix apenas contra sistemas que você possui ou para os quais tem permissão explícita e por escrito, dentro do escopo combinado.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o Strix open source, o Cloud e o Enterprise?
O open source roda localmente (Docker + a sua chave de LLM), gratuito e sob o seu controle. O Cloud é a versão SaaS gerenciada, com painel web, findings validados e auto-correção. O Enterprise é o Cloud implantado na sua infraestrutura (VPC/on-prem), com SSO, conformidade (SOC 2/ISO 27001/PCI DSS) e suporte dedicado.
Strix substitui um pentester humano?
Não exatamente. Ele automatiza a parte repetitiva — recon, tentativas de exploração e validação — e acelera muito a cobertura, mas um profissional ainda revisa os achados, filtra contexto de negócio e toma decisões. O ideal é usar como multiplicador de força, não como substituto.
Preciso pagar algo para usar?
A versão open source é gratuita: você roda localmente com Docker e a sua própria chave de API de LLM (que pode ter custo conforme o provedor). O Strix Cloud tem plano Pro pago (por assento, com pentests cobrados à parte). O Enterprise é sob contrato, com preço personalizado.
Qual modelo de IA devo usar?
O padrão recomendado é o Z.ai GLM-5.3 (via OpenRouter), mas há suporte a OpenAI GPT, Anthropic Claude, Google Gemini, DeepSeek e modelos locais. A escolha afeta a qualidade dos achados e o custo por execução.
O Strix envia meu código para terceiros?
Na versão open source, não: tudo roda localmente dentro de um contêiner Docker e nada sai da sua máquina. No Cloud, você envia o código para a plataforma gerenciada, e a empresa declara zero retenção (sem uso dos fontes para treinar modelos). No Enterprise, os dados ficam na sua própria infraestrutura.
Posso rodar dentro do meu CI/CD?
Sim. Há integração nativa com GitHub Actions (e outros pipelines) que dispara uma revisão de segurança a cada pull request e bloqueia código vulnerável antes do merge. O modo headless com a flag -n é o que viabiliza a automação.
O que diferencia o Strix de um scanner de vulnerabilidades comum?
O scanner tradicional aponta possíveis problemas com base em assinaturas e gera muitos falsos positivos. O Strix executa o código, explora a falha de verdade e só reporta o que conseguiu validar com uma prova de conceito funcional, além de propor a correção.
É legal usar o Strix em qualquer site?
Não. O teste ativo contra sistemas sem autorização é ilegal na maioria das jurisdições. Rode apenas contra alvos que você possui ou para os quais tem permissão explícita e por escrito, respeitando o escopo combinado.
Fontes e leituras adicionais
- GitHub — Strix — the open-source AI pentesting tool — 15/10/2026
- Strix Docs — Documentação oficial do Strix — 2026
- Strix — Site oficial — plataforma de pentest contínuo — 2026
- Strix — Planos e preços (Pro e Enterprise) — 2026