
Ferramenta
MailAccess: investigue e-mails com OSINT em 2500+ plataformas sem API key
O que é
O MailAccess é uma plataforma open source de OSINT (Open Source Intelligence, inteligência a partir de fontes públicas) especializada em endereços de e-mail: você informa um e-mail e a ferramenta faz um "fan-out" — dispara consultas em paralelo para bases de vazamentos, redes sociais, registros DNS e a web aberta — e devolve um relatório unificado com score de exposição, contas correlacionadas e descobertas estruturadas. Criado por Katriel Moses e distribuído sob licença MIT no PyPI (índice oficial de pacotes Python), o projeto está na versão 0.14.5 (lançada em 07/09/2026), com mais de 1,3 mil estrelas no GitHub e crescimento acelerado — o grande diferencial é que a maioria dos módulos funciona sem nenhuma API key: instale, rode e investigue.
O MailAccess foi construído para pesquisadores de segurança, analistas de OSINT e pentesters atuando sob autorização — o próprio projeto exige a leitura do DISCLAIMER antes do uso, já que toda investigação de e-mail de terceiros envolve responsabilidade legal. Ele pode rodar como CLI pura (o backend sobe e desce sozinho a cada investigação) ou como stack web completa com Docker Compose e PostgreSQL, para equipes que precisam de servidor persistente, API REST e painel web.
Principais características
| Característica | O que faz |
|---|---|
| 2500+ plataformas | Motor nativo Maigret + cobertura de Sherlock, Holehe, Nexfil, Blackbird, WhatsMyName e user-scanner |
| Sem API keys | A maioria dos 64 módulos funciona com zero chaves; keys opcionais (ex: HIBP) ampliam cobertura |
| Identity graph | Correlaciona contas, usernames, nomes, avatares, dados de vazamento e links de perfil em um grafo |
| Name Consensus Engine | Consolida sinais independentes de nome em bandas: confirmado, provável, possível ou desconhecido |
| Credential Risk Score | Score de 0–100 de exposição de credenciais, com os principais drivers e próximos passos |
| Deep breach mode | Sonda o corpus de vazamentos de maior severidade para risco de existência de conta |
| Defender's Brief | Resumo de risco de 30 segundos para gestores, com achados priorizados e ação concreta |
| harvest-emails | Descobre e-mails de um domínio em Common Crawl, GitHub, logs de transparência de certificados (CT), registries, keyservers, dorks e páginas de funcionários |
| 6 formatos de export | JSON, CSV, PDF, Markdown, STIX 2.1 e XML do Maltego |
| Integrações | Maltego, Slack, Discord, webhooks genéricos, pipelines JSONL e CI |
Como funciona
Cada investigação começa com um endereço de e-mail e termina com um relatório estruturado, passando por quatro camadas. A primeira é a coleta: os módulos de perfil (Maigret, Sherlock, Holehe e companhia) consultam plataformas de redes sociais e serviços online procurando contas associadas ao e-mail, enquanto módulos de vazamento consultam bases de credenciais expostas e módulos de DNS e web aberta buscam rastros adicionais — tudo em paralelo, com um orçamento de investigação configurável.
A segunda camada é a correlação: as descobertas alimentam o identity graph, que liga contas que compartilham username, avatar, nome de exibição ou dados de vazamento. A terceira é a consolidação de identidade: o Name Consensus Engine cruza os sinais de nome vindos de fontes independentes (GitHub, Gravatar, Keybase, PGP, por exemplo) e classifica o resultado em confirmado, provável, possível ou desconhecido — com a lista de fontes e o raciocínio, como no exemplo do próprio README:
CONFIRMED IDENTITY
Name: Katriel Moses [CONFIRMED]
Sources: GitHub . Gravatar . Keybase . PGP
Reasoning: 4 independent sources agree.A quarta camada é a avaliação: cada achado ganha evidência e score, o Credential Risk Score mede a exposição de credenciais em uma escala de 0–100 e o Defender's Brief sintetiza tudo para quem precisa de uma decisão rápida:
DEFENDER'S BRIEF
Risk: CRITICAL
Summary: Active infostealer infection detected.
1. Active credential theft [CRITICAL]
-> Rotate credentials immediately.
Next action: Immediately rotate credentials and enforce hardware MFA.Todo o pipeline roda localmente (backend efêmero por investigação) e os resultados saem em seis formatos — incluindo STIX 2.1 (padrão de troca de inteligência de ameaças) e XML nativo do Maltego (plataforma de análise e visualização de relações entre entidades).
Casos de uso práticos
Investigar um e-mail suspeito
O uso mais direto: descobrir onde um endereço de e-mail aparece, se está em vazamentos e quais contas estão ligadas a ele — o ponto de partida de quase toda investigação de phishing, fraude ou engenharia social.
pip install mailaccess
mailaccess investigate alvo@example.comMedir a exposição da própria empresa (defesa)
Analistas de segurança usam o MailAccess proativamente: investigar os e-mails corporativos da própria organização para descobrir quais funcionários tiveram credenciais vazadas e qual o nível de risco — antes de um atacante fazer o mesmo. O Defender's Brief vira o resumo executivo para o gestor, e o relatório em PDF segue para o time de resposta:
mailaccess investigate funcionario@empresa.com.br -o relatorio.pdfMapear e-mails de um domínio (recon)
No modo de colheita, o MailAccess descobre endereços associados a um domínio inteiro — útil para levantar a superfície de ataque de uma empresa (ou da sua própria, em auditoria) e para alimentar campanhas de conscientização sobre phishing:
mailaccess harvest-emails --domain empresa.com.br --export colheita.csvAlimentar o Maltego e pipelines de automação
As investigações exportam em XML nativo do Maltego, então cada e-mail vira um nó no grafo de relações da sua investigação maior. Para automação, o MailAccess aceita pipelines via stdin, saída JSONL e integrações com Slack/Discord/webhooks — dá para encadear centenas de e-mails em um fluxo de CI de threat intelligence.
Configurar chaves opcionais quando precisar
A maioria dos módulos funciona sem chave, mas keys opcionais destravam mais cobertura. A gestão é feita pelo próprio CLI:
mailaccess keys set HIBP_API_KEY sua-chave-aqui
mailaccess keys list
mailaccess modulesDownload e instalação
O MailAccess é gratuito e open source (MIT). O caminho mais rápido é via PyPI:
pip install mailaccess
mailaccess investigate voce@example.comO CLI sobe e derruba o backend automaticamente a cada investigação. Para um servidor persistente (painel web + API REST), use mailaccess serve; para a stack completa com Docker Compose e PostgreSQL, siga o guia de self-hosting — o projeto tem imagens prontas e o Docker (plataforma de containers) cuida do ambiente. O pacote opcional mailaccess[ml] adiciona classificação de nomes via spaCy. Links oficiais: repositório no GitHub, pacote no PyPI e site do projeto.
Conclusão
O MailAccess resolve o problema mais chato do OSINT de e-mails: a dispersão. Em vez de alternar entre dez ferramentas e dez abas, você tem um pipeline único que varre 2500+ plataformas, cruza os achados em um grafo de identidade, pontua a exposição e entrega um relatório que um gestor entende em 30 segundos — tudo de graça, sem API keys e com a privacidade de rodar localmente. Para o analista de segurança, o valor é duplo: na ofensiva, acelera a investigação de alvos; na defesa, permite medir a própria exposição antes que o atacante o faça. É uma das ferramentas de OSINT de e-mail mais completas que surgiram recentemente — e, como toda ferramenta desse tipo, o limite não está no código, e sim no uso responsável e autorizado.
Perguntas frequentes
Preciso de API keys para usar o MailAccess?
Não. A maioria dos 64 módulos funciona com zero chaves — você instala, roda e investiga. Chaves opcionais (como a da Have I Been Pwned) destravam cobertura adicional, mas não são obrigatórias para o funcionamento básico.
O MailAccess é gratuito?
Sim, é open source sob licença MIT — gratuito para uso, estudo e modificação. O projeto também aceita patrocínio para se manter.
O uso do MailAccess é legal?
A ferramenta consulta apenas fontes públicas e é feita para pesquisadores, analistas e pentesters atuando com autorização. Investigar e-mails de terceiros sem autorização pode violar leis de privacidade — o próprio projeto exige a leitura do DISCLAIMER antes do uso.
Como exporto os resultados de uma investigação?
Com a flag -o, em seis formatos: JSON, CSV, PDF, Markdown, STIX 2.1 e XML do Maltego. Exemplo: mailaccess investigate alvo@example.com -o relatorio.pdf.
Dá para rodar o MailAccess como servidor web?
Sim. mailaccess serve sobe um backend persistente com painel web e API REST, e a stack completa com Docker Compose + PostgreSQL está documentada no guia de self-hosting do repositório.
O que significa o score de exposição?
O Credential Risk Score é uma nota de 0 a 100 que mede o quão expostas estão as credenciais associadas ao e-mail investigado, acompanhada dos principais fatores de risco e das próximas ações recomendadas.
Fontes e leituras adicionais
- GitHub — MailAccess — repositório oficial — 10/09/2026
- PyPI — mailaccess — pacote oficial — 10/09/2026
- MailAccess — Site oficial — 10/09/2026
- MailAccess — Guia de self-hosting (Docker Compose) — 10/09/2026
- MailAccess — Referência de módulos — 10/09/2026
- MailAccess — DISCLAIMER de uso autorizado — 10/09/2026