Horus: a suíte Python de OSINT e forense digital para investigações

Ferramenta

Horus: a suíte Python de OSINT e forense digital para investigações

Rodrigo ColissiRodrigo Colissi
10 de setembro de 20267 min de leitura
OSINTForense Digital

O que é

O Horus — antigo "Sentinel" — é uma ferramenta Python open source que reúne OSINT (Open Source Intelligence, inteligência a partir de fontes públicas) e forense digital em um único lugar, pensada para apoiar investigações de ponta a ponta: o autor a descreve como um "pre-ops buddy", o companheiro de pré-operação que ajuda o investigador a levantar, compilar e cruzar dados antes de agir. Mantido por 6abd sob licença GPL-3.0, o projeto soma quase 900 estrelas no GitHub, tem documentação completa no Horus Docs e foi apresentado no Product Hunt (plataforma de lançamento de produtos).

A proposta é simples na ideia e grande na execução: em vez de o analista alternar entre dezenas de serviços e abas, o Horus centraliza — desde chamadas de API a serviços de inteligência até a compilação dos dados coletados em um fluxo único de investigação. A identidade visual é terminal puro: a arte ASCII de um falcão (referência ao deus egípcio Horus, o "olho que tudo vê") com a frase "Are you worried yet?" — o tom de quem trabalha no lado investigativo da segurança.

Principais características

CaracterísticaO que faz
OSINT e forense em um só lugarUnifica coleta de inteligência e análise forense em um fluxo único de investigação
Integração por APIConsome serviços externos de inteligência via API — incluindo Shodan (motor de busca de dispositivos conectados à internet), já analisado no nosso guia de pentest
Compilação de dadosReúne e organiza os achados de múltiplas fontes em uma base única para análise
CLI PythonRoda como ferramenta de terminal (python3 horus.py), com comandos modulares
Configuração por JSONChaves de API configuradas em arquivo central (api_config.json)
Áreas de investigaçãoCobre tópicos como criptomoedas, decriptação, localização e esteganografia (técnica de esconder dados dentro de outros arquivos)
Open sourceCódigo auditável no GitHub, sob GPL-3.0, com testes e política de segurança

Como funciona

O Horus funciona como um hub de investigação em camadas. Na base, está o terminal Python com um conjunto de comandos modulares — cada um aciona uma capacidade específica, e a configuração das chaves de API fica centralizada em src/modules/var/pipes/api_config.json: você cadastra as chaves dos serviços que quer usar (o README alerta para nunca commitar esse arquivo em forks públicos) e os módulos as consomem.

Sobre essa base, o Horus integra serviços externos de inteligência via API. O exemplo clássico é o Shodan, o buscador de dispositivos conectados à internet que permite localizar servidores, câmeras, roteadores e outros equipamentos expostos — uma das fontes mais usadas em investigações de infraestrutura. Como algumas APIs são pagas (o próprio Shodan comercial exige assinatura para recursos avançados), o Horus lida com essa camada de acesso e compila os retornos no fluxo da investigação.

No topo, está a compilação: os dados vindos das APIs e das fontes públicas são organizados para o analista cruzar e interpretar — a parte "all-in-one" do projeto, que transforma o Horus de um simples cliente de API em um assistente de investigação. A instalação segue o padrão Python clássico, e a documentação oficial em Gitbook detalha comandos, configuração e casos de uso.

Casos de uso práticos

Levantamento pré-operação (pre-ops)

O caso de uso central do Horus: antes de uma ação — um pentest autorizado, uma diligência, uma apuração —, o analista levanta o máximo de informação pública sobre o alvo e compila em um só lugar. A infraestrutura exposta, registros públicos e outras fontes alimentam a mesma base de investigação, em vez de ficarem espalhados em ferramentas separadas.

Investigação de infraestrutura com Shodan

Integrando o Horus ao Shodan, o investigador consulta dispositivos e serviços expostos — servidores, painéis administrativos, equipamentos de rede — e puxa os resultados direto para o fluxo de investigação do Horus, sem sair do terminal. Um exemplo prático em OSINT de infraestrutura: correlacionar um domínio com os IPs e portas que ele expõe e, a partir daí, verificar certificados e serviços associados.

Análise de arquivos e dados embutidos

Na frente de forense digital, o Horus cobre técnicas como esteganografia — detectar e extrair dados escondidos em imagens, áudios ou documentos — e trabalho com criptografia e decriptação, áreas que aparecem com frequência em investigações que envolvem comunicações cifradas ou arquivos suspeitos.

Rastreamento em investigações de cripto e localização

Os tópicos do projeto incluem criptomoedas e localização: em investigações de fraude ou lavagem envolvendo cripto, o analista cruza endereços de carteira com dados públicos; em apurações que envolvem um alvo físico, fontes de localização ajudam a montar a linha do tempo. O Horus reúne essas consultas no mesmo fluxo.

Download e instalação

O Horus é gratuito e open source (GPL-3.0). A instalação é o fluxo Python clássico, direto do repositório:

git clone https://github.com/6abd/horus.git
cd horus
pip install -r requirements.txt
python3 horus.py

No Windows, o comando de execução é py horus.py. As chaves de API são configuradas no arquivo src/modules/var/pipes/api_config.json, e a documentação completa — comandos, configuração, módulos — está no Horus Docs. Links oficiais: repositório no GitHub e documentação no Gitbook.

Conclusão

O Horus responde a uma necessidade real do investigador moderno: a centralização. OSINT e forense digital hoje exigem dezenas de fontes, e o valor de uma ferramenta como o Horus está em reunir essas consultas em um fluxo único — do levantamento pré-operação à análise de arquivos e infraestrutura —, com integração a serviços como o Shodan e um formato de trabalho que o analista de terminal reconhece na hora. Não é a ferramenta mais famosa do ecossistema, mas é exatamente o tipo de projeto que o investigador mantém na caixa de ferramentas: abrangente, extensível e com o código aberto para auditar e adaptar. Como todo bom "pre-ops buddy", ele não decide por você — ele garante que você chegue à operação com o máximo de informação possível.

Perguntas frequentes

O que o Horus faz exatamente?

É uma ferramenta Python de OSINT e forense digital que centraliza investigações: integra serviços externos via API (como Shodan), compila dados de múltiplas fontes e cobre áreas como cripto, decriptação, localização e esteganografia.

O Horus é gratuito?

Sim, é open source sob licença GPL-3.0 — gratuito para usar, estudar e modificar, com o código disponível no GitHub.

Preciso de APIs pagas para usar o Horus?

O Horus em si é grátis, mas alguns serviços integrados têm APIs comerciais — o Shodan, por exemplo, cobra por recursos avançados. As chaves são configuradas no arquivo api_config.json, e os módulos usam apenas os serviços que você cadastrar.

Dá para usar o Horus no Windows?

Sim. A instalação segue o mesmo fluxo Python; no Windows o comando de execução é py horus.py em vez de python3 horus.py.

Onde encontro a documentação do Horus?

A documentação oficial fica no Horus Docs (horusdocs.gitbook.io), com guia de início rápido, comandos, configuração de APIs e casos de uso.

O Horus substitui outras ferramentas de OSINT?

Ele centraliza e compila, mas não substitui tudo: integra fontes como o Shodan, que continua sendo o serviço por trás das consultas. Na prática, o Horus é o hub que reúne as ferramentas no fluxo da investigação.

Fontes e leituras adicionais

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