
Notícia
Hackers fazem jailbreak permanente no iPhone 18 Pro — e ele sobrevive ao reiniciar
Introdução
A empresa de segurança ofensiva Calif (empresa de pesquisa em segurança ofensiva) demonstrou no palco da Hexacon (conferência de segurança ofensiva realizada em Paris), em 16 de outubro, um jailbreak untethered no iPhone 18 Pro rodando iOS 27.0.1 — o sistema mais recente da Apple (fabricante do iPhone e do iOS). O detalhe que chamou atenção: o acesso root (o nível máximo de privilégio do aparelho, equivalente ao superusuário) volta sozinho depois de reiniciar o telefone, sem precisar de nenhum computador conectado. É o primeiro jailbreak permanente bem-sucedido num aparelho tão recente.
Contexto: o iPhone como sistema fechado
A Apple constrói o iPhone como um sistema deliberadamente trancado. Cada app roda dentro de uma sandbox (ambiente isolado que impede que um programa acesse os dados de outro), todo código precisa ser assinado digitalmente pela empresa (code signing, a assinatura que garante que só software aprovado roda), e a inicialização segue uma cadeia de boot segura (secure boot, que verifica cada etapa da partida do sistema em busca de adulteração).
O jailbreak (fuga da prisão, em inglês) quebra exatamente esse cadeado: ele remove as restrições da Apple e entrega o controle total ao usuário. Com um aparelho jailbroken, dá para instalar apps fora da App Store, navegar por todo o sistema de arquivos, remover aplicativos nativos e alterar comportamentos que a fabricante nunca permitiu. Pouca gente usa hoje — mas cada jailbreak que funciona em hardware atual prova que as defesas em que a Apple investe pesado ainda podem ser vencidas.
Como funciona um jailbreak untethered
Nem todo jailbreak é igual. A diferença crucial está no que acontece na hora de reiniciar o aparelho:
| Tipo | Precisa de computador ao reiniciar? | Sobrevive ao reinício? |
|---|---|---|
| Tethered | Sim — toda vez que reinicia, precisa reconectar ao PC para o aparelho ligar | Não |
| Semi-tethered | O aparelho liga normal, mas perde o jailbreak até reconectar e reexecutar a ferramenta | Parcial |
| Untethered | Não | Sim — permanente |
O jailbreak untethered é o "santo graal" porque a alteração persiste na inicialização: o exploit sobrevive à reinicialização e se reaplica sozinho. Na prática, isso significa que o invasor (ou o usuário) mantém o acesso root de forma permanente, sem precisar do computador original para reativar nada a cada boot.
A demonstração da Calif
O vídeo gravado pelo pesquisador de jailbreak Billy Ellis e publicado no X mostra a equipe da Calif no palco reiniciando o iPhone, desbloqueando com a senha comum e abrindo uma sessão SSH (protocolo de terminal remoto) como root. A saída do terminal exibia o sistema iOS 27.0.1 e um uptime (tempo desde a última inicialização) de cerca de dois minutos — ou seja, o acesso de mais alto nível estava de pé logo após a reinicialização.
O jailbreak em ação: sessão SSH como root logo após a reinicialização do aparelho.
A Calif também demonstrou a persistência — o ponto que define o jailbreak como untethered. No vídeo abaixo, o aparelho é reiniciado e o acesso root volta sozinho, sem computador conectado:
A persistência: o jailbreak sobrevive ao reboot — "APT stands for Apple Persistent Threat", brincou a empresa.
A Calif não revelou quais vulnerabilidades usou e não lançou nenhuma ferramenta pública. A Apple não comentou a demonstração e costuma não confirmar falhas de segurança até que os patches estejam disponíveis.
As outras demos: PDF malicioso no Signal e no iMessage
Além do jailbreak, a Calif levou outras demonstrações ao palco que mostram o iPhone sendo comprometido por aplicativos de mensagem. A primeira é um ataque 1-clique no Signal (aplicativo de mensagens com criptografia de ponta a ponta): o atacante envia um PDF malicioso e, quando a vítima abre o arquivo, a vulnerabilidade é disparada no iPhone.
O ataque 1-clique no Signal: a vítima abre o PDF e a vulnerabilidade é disparada.
A segunda segue o mesmo princípio, mas pelo iMessage — o aplicativo nativo da Apple, ativo por padrão em todos os iPhones. A ironia que a Calif fez no palco resume o ponto: "quem se importa com um app de terceiros quando todo mundo usa o iMessage?" Ou seja, a mesma técnica de explorar o iPhone por um arquivo enviado vale tanto para o Signal quanto para o iMessage.
A mesma técnica no iMessage: o PDF malicioso compromete o iPhone ao ser aberto.
Nenhuma dessas vulnerabilidades foi detalhada, e a empresa prometeu publicar tudo "a seu tempo".
O papel da IA na pesquisa
Há um detalhe que liga este caso ao uso crescente de inteligência artificial na descoberta de vulnerabilidades: as notas de segurança do iOS 27 creditam a Calif.io, trabalhando com o Claude e a Anthropic Research, por dois bugs de crash não relacionados. Ou seja, modelos de IA participaram da pesquisa que encontrou falhas reais no sistema da Apple — mais um sinal de que a IA se tornou ferramenta de trabalho tanto para quem defende quanto para quem pesquisa exploits.
Conclusão
O jailbreak untethered do iPhone 18 Pro é mais do que um feito técnico: é a prova viva de que o modelo de "jardim murado" da Apple — seguro, mas rígido — não é invulnerável. A Calif conseguiu, num palco, o que há anos parecia fora de alcance em hardware recente: arrancar o controle do aparelho das mãos da fabricante e mantê-lo após a reinicialização. O restante — quais vulnerabilidades foram usadas e como — a empresa prometeu revelar a seu tempo.
Perguntas frequentes
O que é um jailbreak?
É a remoção das restrições que a Apple impõe ao iOS. Ele entrega acesso root ao usuário, permitindo instalar apps fora da App Store, alterar o sistema e mexer em arquivos que normalmente ficam bloqueados.
O que significa "untethered" (sem amarras)?
Significa que o jailbreak é permanente: sobrevive à reinicialização do aparelho e se reaplica sozinho, sem precisar reconectar o telefone a um computador. É o tipo mais difícil e mais cobiçado.
Esse jailbreak está disponível para download?
Não. A Calif não lançou ferramenta pública nem revelou quais vulnerabilidades usou. A empresa afirmou que tudo será publicado "a seu tempo".
Meu iPhone está em risco agora?
Não diretamente. É uma demonstração de pesquisa, sem exploração em massa conhecida. O risco concreto aumenta se as vulnerabilidades vazarem antes do patch.
A Apple já corrigiu as falhas?
A Apple não comentou a demonstração e normalmente só confirma falhas quando os patches estão prontos. As notas de segurança do iOS 27 creditam a Calif por dois bugs de crash, mas a relação com o jailbreak não foi confirmada.
Qual a diferença entre root e jailbreak?
Jailbreak é o processo de quebrar as restrições do sistema; root é o privilégio que se ganha com isso — o acesso de mais alto nível, que permite ler e alterar qualquer coisa no aparelho.
O ataque via PDF funciona no Signal e no iMessage?
Segundo a demonstração da Calif, sim: o princípio é o mesmo — um PDF malicioso enviado pelo aplicativo de mensagem dispara uma vulnerabilidade no iPhone. A empresa não revelou os detalhes técnicos de nenhuma das duas variantes.
A inteligência artificial ajudou a encontrar essas falhas?
As notas de segurança do iOS 27 indicam que a Calif trabalhou com o Claude e a Anthropic Research na descoberta de bugs. É mais um exemplo do uso crescente de IA na pesquisa de vulnerabilidades.
Fontes e leituras adicionais
- Decrypt — Hackers jailbreak iPhone 18 Pro, survives reboot — 16/10/2026
- Billy Ellis (X) — Vídeo da demonstração na Hexacon — 16/10/2026
- Calif (X) — Thread com as quatro demos apresentadas na Hexacon — 16/10/2026
- Calif — Newsletter com os demos do evento — 16/10/2026